(Wilson Moreira e Nei Lopes)
Abre as asas sobre mim
Oh senhora liberdade
Eu fui condenado
Sem merecimento
Por um sentimento
Por uma paixão
Violenta emoção
Pois amar foi meu delito
Mas foi um sonho tão bonito
Hoje estou no fim
Senhora liberdade abre as asas sobre mim
Senhora liberdade abre as asas sobre mim
Não vou passar por inocente
Mas já sofri terrivelmente
Por caridade, oh liberdade abre as asas sobre mim
Por caridade, oh liberdade abre as asas sobre mim
quinta-feira
Senhora liberdade
terça-feira
manifesto nº1 para 2007
eu não preciso de muito dinheiro, graças a deus, mas se quiserem me pagar um salário de R$ 3.000,00 por mês para que eu fique escrevendo meu livro, não vou reclamar.
sábado
ao som de maria bethânia
dia do meu aniversário, fui passar ao lado dela em salvador. tava bonita a festa. e agora sigo ao som de maria bethânia.
dia 4 de Dezembro
(letra e música de tião motorista)
no dia 4 de dezembro
vou no mercado levar
na baixa do sapateiro
flores pra santa de lá
bárbara santa guerreira
quero a você exaltar
é Iansã verdadeira
a padroeira de lá
tirirê, tirirê, relampejou
oh, tirirê, relampejou
tomara que chegue a hora
quero seguir procissão
vou com meu "liforme" branco
levo o meu chapéu na mão
as ladainhas cantadas
pelas beatas de véu
os homens cantam mais forte
pedem proteção ao céu
logo que a santa retorne
eu vou pro samba correndo
vou na barraca da Ornela
tomo uns limão, vou dizendo
pego Antenor, meu compadre
deixa essa cara de bicho
não vou sair desse samba
só saio se for no lixo

terça-feira
nudez da verdade
“eu bem sei”
o desespero não tem asas
o amor também não,
nada de rosto,
não falam,
eu não me mexo
não olho pra eles
não lhes dirijo a palavra
mas estou tão vivo quanto o meu amor e o meu despero
é um poema de paul éluard, olha aí o original:
nudité de la vérité
“je le sais bien.”
le désespoir n’a pas d’ailes,/
l’amour non plus,/
pas de visage,/
ne parlent pas,/
je ne bouge pas,/
je ne les regarde pas,/
je ne leur parle pas/
mais je suis bien aussi vivant que mon amour et que mon désespoir.
man ray
domingo
o gato e o passarinho
um povoado escuta entristecido
o canto de um pássaro ferido
é o único pássaro do povoado
e o único gato do povoado
devorou pela metade o passarinho
e o pássaro para de cantar
e o gato para de ronronar
e de lamber o focinho
e o povoado faz pro passarinho
um maravilhoso funeral
e o gato que foi convidado
segue o cortejo atrás do caixãozinho de palha
onde o pássaro morto está deitado
carregado por uma menininha
que não para de chorar
se eu soubesse que isso iria te causar tanta dor
lhe diz o gato
eu o teria comido inteirinho
e depois te contaria
que o havia visto voar
voar até o fim do mundo
lá onde o longe é tão longe
que ninguém jamais pode voltar
você teria sofrido menos
apenas tristeza e saudade
a gente não deve nunca fazer as coisas pela metade
é um poema de jacques prévert
para fazer o retrato de um passarinho
pintar primeiro uma gaiola
com uma porta aberta
pintar em seguida
algo de bonito
algo de simples
algo de lindo
algo de útil
para o passarinho
pendurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer
às vezes o passarinho chega rápido
mas pode também demorar muitos anos
antes de se decidir
não desanimar
esperar
esperar se preciso durante anos
a rapidez ou a lentidão da chegada do passarinho
não tendo nenhuma relação
com o êxito do quadro
quando o pássaro chega
se ele chega
observar o mais profundo silêncio
esperar que o passarinho entre na gaiola
e quando ele entrar
fechar calmamente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar nenhuma das penas do passarinho
fazer em seguida o retrato da árvore
escolhendo o mais belo de seus galhos
para o passarinho
pintar também a verde folhagem e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos bichos do mato no calor do verão
e depois esperar que o passarinho se decida a cantar
se o passarinho não canta
é mal sinal
sinal de que o quadro vai mal
mas se ele canta é bom sinal
sinal de que você pode assiná-lo
então você retira docemente
uma das penas do passarinho
e escreve seu nome no canto do quadro.
["pour faire le portrait d'un oiseau"
poema de jacques prévert
temporariamente traduzido por mim]
sábado
revista etcetera #20 - no ar!!!!
janine 1
pourquoi tu m'appelles janine
alors que j' m'appelle thérèse ?
pourquoi tu m'appelles ardèche
alors que j' m'appelle corrèze ?
pourquoi tu m'appelles triangle
alors que j' m'appelle trapèze ?
pourqoi tu m'appelles louis xv
alors que j' m'appelle louis xvi ?
pourquoi tu m'appelles oeuf coq
alors que j' mappelle omelette ?
pourquoi tu m'appelles hautbois
alors que j' m'appelle trompette ?
pourquoi tu m'appelles don juan
alors qu' j'ai une p'tite quéquette ?
pourquoi tu m'appelles képi
alors que j' m'appelle casquette ?
(por que você me chama de janine,
quando eu me chamo thérèse?
por que você me chama de ardèche
quando eu me chamo corrèze
por que você me chama de triângulo
quando eu me chamo trapézio
por que você me chama de ovo quente
quando eu me chamo omelete
por que você me chama de oboé
quando eu me chamo trompete?
por que você me chama de don juan
quando eu tenho um pingolete
por que você me chama de quépi
quando eu me chamo capacete?)
tá no disco le fil. de camille.
(procure o site na próxima mensagem)
camille - le fil
quinta-feira
terça-feira
cordel do fogo encantado, joão cabral de melo neto e os bonecos
só um comentário: joão cabral nunca podia imaginar que o poema dele seria falado por uma banda de rock'n roll, em plena praça da estação, pra uma platéia repleta de jovens e adolescentes. saravá lirinha!
o sábia no sertão,
quando canta me comove,
passa três meses cantando
e sem cantar passa nove
porque tem a obrigação
de só cantar quando chove
sábado
palavras do revolucionista bernard shaw
um revolucionista é aquele que deseja descartar a ordem da existência social e tentar outra.
auto-sacrifício
auto-sacrifício habilita-nos a sacrificar outras pessoas sem a menor vergonha.
se você começa a sacrificar-se por aqueles que ama, acaba odiando aqueles para quem você se sacrificou.
civilização
a civilização é uma doença produzida pela prática de construir sociedades com material podre.
aqueles que admiram a civilização moderna costumam identificá-la com a máquina a vapor e o telégrafo elétrico.
aqueles que entendem a máquina a vapor e o telégrafo elétrico gastam suas vidas tentando substituir-se por algo melhor.
a imaginação não pode conceber um criminoso mais vil que aquele que construiria outra londres como a atual, nem um maior benfeitor que aquele que a destruiria.
experiência
os homens são sábios em proporção, não à sua experiência, mas à sua capacidade para a experiência.
se pudéssemos aprender da mera experiência, as pedras de londres seriam mais sábias do que os mais sábios homens.
razão
o homem racional adapta-se ao mundo: o irracional persiste tentando adaptar o mundo a si mesmo. portanto, todo progresso depende do irracional. o homem que ouve a razão, está perdido: a razão escraviza todos aqueles cuja mente não é forte o bastante para dominá-la.
quarta-feira
revista roda nº2 - eparrei!
e eis que chega a revista roda número 2. lindona, como a primeira. gratas surpresas: presença de gente boníssima: antônio risério, benjamin abras, chacal, george cardoso, jackie kay, paulo leminski e virna teixeira. só pra começar a listas dos camarás.
terça-feira
música fora de foco
começa hoje e vai até o dia 20 de agosto, na fundação de educação artística o projeto "música fora de foco". a mostra traz um grupo de 6 artistas ou grupos que oferecem de diferentes maneiras, sua forma de renovar a linguagem musical.
veja a programação (sempre às 20h30):
terça-feira, dia 15: felipe amorim
quarta-feira, dia 16: o grivo
quinta-feira, dia 17: paulo álvares
sexta-feira, dia 18: tato taborda e alexandre fenerich
sábado, dia 19: chelpa ferro
domingo, dia 20: pex baa
a fundação de educação artística fica na rua gonçalves dias, 320 - funcionários (quase esquina com avenida getúlio vargas)
segunda-feira
as destrezas do amor
o amor é o alcance da mão
é tudo aquilo que ele roça
quando estica os braços
quando estica os dedos
produtos importados direto
do país das surpresas do país dos medos
delícias sobre a mesa ou ao contrário
melecas em geléia para o piquenique
o amor é tudo aquilo que a mão toca
seja com a destra seja com a sinistra
seja com a boca seja com a orelha
seja com a luva seja com a vista
ninguém reclama quando o amor ama
no meio da praça não é atentado
se o beijo escandaliza a massa
ou se o fogo incendeia o ministério público
ninguém se mete quando a moça
extasiada pela língua do poeta
inaugura uma estátua fátua
o beijo de rodin na praça principal
ninguém se liga quando a eletricidade
da cidade se embanana porque
o camarada ama ou porque a menina
agora toda nua é a culpada do apagão
o amor é um camarada raro
que brinca com ratos pela calçada
e caça palavras pelos cruzamentos
quebrando cabeça no meio dos carros
o amor com seus desastres
derrama o chocolate sobre a roupa dos amantes
obrigados a matar serviço reinventam
a manhã agora num brinquedo novinho em flor
são as destrezas do amor
tropeça todo dia nos seus próprios mortos
bebe ri dança e balança e até morre com eles
é por isso que ele nunca está só
os desastres do amor
o amor está ao alcance da mão
então você estica os braços
tenta colhê-lo e ao fazê-lo
o empurra para mais distante
a distância te ajuda a compreendê-lo
quer dizer, a tê-lo entre os dedos
mas entre os dedos não basta
então você estica os braços, quer acolhê-lo
e ao fazê-lo, empurra ainda
para mais distante: a distância
te completa de angústias
você tem que declarar seu desespero
o amor quer ser cantado a cântaros
você se derrama nas águas do amor
e o amor é tudo ao redor
você é rio você é vento luz do sol você é ar
e te pedem que brilhe
como ao meio dia
então você brilha
e a sua luz ofusca os olhos do amor
agora é guiar aquele que você procurava
você cego procura o caminho certo
e guia quem tem os olhos foscos
mas não há mais tempo:
você defendeu o amor em todas as guerras
travou lutas contra ele em favor dele mesmo
e da única causa na qual pôde crer
e assim o deixa cada dia mais distante
mas isso não é tudo
o amor está em toda parte, você
quer amá-lo quer beijá-lo degustá-lo
no entanto, você está só
domingo
uma mulher com movimentos de rio
uma mulher com movimentos de rio
com transparentes trejeitos de água
uma menina de água
onde se lê o que passa e não retorna
um pouco de água onde os olhos bebam
onde os lábios de um só trago bebam
a árvore a nuvem o relâmpago
eu mesmo e a menina.
poema de octavio paz, em "semillas para un sueño"
terça-feira
poesia & cidade: formas de reconfiguração do espaço urbano
e na última edição da zip: zona de invenção poesia &, um assunto que dá o que falar. teremos a ilustríssima presença dos nossos camaradas renato negrão, mara de aquino, rita medeiros e waldemar euzébio. artistas que pensam a cidade, o espaço urbano de maneiras muito diferentes entre si. o jaguadarte anuncia que tão cedo não rola outra. quem quiser ver mais sangue na discussão, clique aqui.
quarta-feira
poesia & tecnologia: o racionalismo sensível
na próxima sexta, dia 23, às 18:30, acontece mais uma edição da zip: zona de invenção poesia &. no comando: ricardo aleixo. os convidados: álvaro andrade garcia, antônio sérgio moreira, benjamin abras, marcelo dolabela & oficina de experimentação poética e grupo oficcina multimédia. o tema: poesia e tecnologia: o racionalismo sensível.









