quinta-feira

negras imagens em movimento

por Regina Barbosa da Silva

Difundir a cultura negra brasileira e promover reflexões sobre as relações étnico-raciais no Brasil por meio de vídeos e filmes. Esse é o objetivo do “Projeto Negras Imagens em Movimento - Espaço Cultural Palmares: Cultura e Ações Afirmativas na UFMG”, resultado de uma proposta feita pela Fundação Cultural Palmares ao Programa Ações Afirmativas na UFMG (veja Box). O trabalho, voltado para comunidades periféricas de Belo Horizonte e arredores, é realizado onde os membros do projeto já mantêm algum contato ou onde são convidados a levar as mostras. A idéia é articular a exibição dos filmes com a realidade das comunidades e com as atividades culturais que elas realizam. Para isso, a equipe faz visitas aos locais, levanta dados sobre os grupos e os movimentos sociais existentes, bem como dos problemas e das questões colocadas pelos moradores.

matéria escrita para o site "tubo de ensaio" da faculdade comunicação (fafich). para lê-la na íntegra, clique aqui.

quarta-feira

o limpador de chaminés

na neve um ponto negro vai
chorando 'arre 'arre em tom de ai!
onde seu pai & sua mãe hão de estar?
eles foram para a igreja rezar.

porque alegre as urzes me mostro,
e sorrio sob a neve que cai:
me vestiram as vestes da morte,
e me ensinaram o canto em tom de ai.

e porque alegre cantei & dancei
eles pensam que não me ferem:
e vão louvar a deus & seu padre & o rei
que criam um céu da nossa miséria.


















é um poema de william blake que traduzi em parceria com o mário alves coutinho em "canções da inocência e experiência" (veja a capa aí do lado). em destaque, os dois versos que mais combinam com a minha revolta neste instante. tão brasil.

com a palavra, o excelentíssimo senador renan calheiros

minha absolvição pelo plenário do senado é uma vitória da democracia brasileira. uma vitória de todos os que continuam acreditando na verdade e no sentido de justiça; uma vitória do senado, que comprovou, através do voto, sua isenção e responsabilidade.
(acho que isto merece resposta. no site dele tem uma sessão fale com renan. sugiro a todos que entrem lá e falem com ele, então: www.falecomrenan.com.br)

monopólio da microsoft gera a maior multa da história

o tribunal de primeira instância da união européia respaldou a maior parte da decisão da comissão européia (CE) de punir a microsoft por abusar de sua posição de domínio e confirmou a histórica multa de US$ 690,3 milhões (497,2 milhões de euros) imposta ao gigante da informática. a corte havia condenado a Microsoft em 2004 por aproveitar-se do monopólio de seu sistema operacional windows para expulsar do mercado outros concorrentes, e que, além disso, não forneceu as informações necessárias para fabricar produtos compatíveis com seu sistema. o departamento de justiça dos EUA disse, por sua vez, que está "preocupado" sobre a decisão "unilateral" da corte de primeira instância contra a microsoft, afirmando que "isso pode prejudicar consumidores e desencorajar a inovação".

(para ler mais, clique aqui: FDsP)

terça-feira

uma senhora festa-poema

tá lá no blogue do marcelo sahea: no dia 23/09 acontecerá o mais longo sarau da história, organizado por Menezes y Morais (que até contactou o pessoal do Guiness Book). é o sarau da primavera que já tem em sua programação 100 horas de poesia. das 20h do dia 19 (quarta-feira) à zero hora do dia 23 (domingo) de setembro, no clube da Imprensa, lá em brasília. lançamentos e relançamentos de livros e cds de autores residentes na capital, além de programação cultural paralela. quem estiver em brasília não pode perder.

segunda-feira

andityas soares de moura numa vídeo-conferência sobre juan gelman

aí está o meu parceiro e comparsa numa vídeo conferência sobre um de nossos poetas favoritos. o vídeo tem 57 minutos e a conferência é realmente muito instrutiva. vale a pena conferir.

a ditadura militar acabou ou não?

uma cena que não sai na imprensa: um menino de dezesseis anos pega o ônibus para sua casa na periferia de belo horizonte. acontece uma batida policial no meio do caminho. confusão e tiros. um cidadão é atingido. o garoto corre para socorrer e os policiais assustados não querem deixar. o menino nervoso começa a gritar, a insultar. um dos policiais decide: desacato à autoridade. e desce a porrada no menor de idade. assim. em público. na frente de todo mundo. em casa, horas mais tarde, o garoto ouve um sermão da mãe. algumas pessoas dizem que é necessário denunciar, mas a família acha que "essas coisas acontecem", que é melhor "deixar na mão de deus". na verdade, fazendo um diagnóstico, o que deixa a gente revoltado diante dessa situação é que no fundo no fundo, todos estão morrendo de medo. o policial não sabe em quem ele bateu, o garoto não pode denunciar porque a polícia pode ameaçar a família, a família quer entregar nas mãos de deus para não continuar tendo problemas com ninguém, nem com a lei da favela, nem com a do governo. e a revolta só sobe de nível, enquanto quem manda no brasil é uma deusa chamada apatia. até quando, isso é o que eu não sei.

quanto custam os seus sonhos?

para completar minha revolta, meu computador voltou a botar aquele recadinho assim: "seu computador pode estar em risco: você está utilizando uma versão não autorizada do windows." através da internet, a microsoft entra no seu computador e faz a inspeção para saber se você está usando uma versão pirata ou não. mas no seu aparelho, você coloca: sonhos, desejos, planos, planilhas, organizações, cartas de amor e cartas a você mesmo, paixões, projetos. de certa forma, a sua vida está lá dentro. o risco de que fala aquele recadinho da microsoft é o de ela vir e apagar os seus sonhos como se fosse o vento sobre a areia. já estou substituindo o word pelo writer do open office (o programa é muito mais inteligente e não faz nenhuma chantagem, pelo contrário, me incentiva a colaborar). como meu aparelho é usado por toda a minha família (ao todo 7 pessoas), ainda não tive a coragem de chutar o balde e passar para o ubuntu, como fez a lenise, mas farei isso em breve. paciência tem limites. (para quem não sabe, o ubuntu é um sistema operacional que substitui o windows - e, diga-se de passagem, mais inteligente e colaborativo, também). detalhe para quem leu a mensagem abaixo: o open office (a versão brasileira se chama br office) já transforma o arquivo de word, jpg, excel e tudo mais em pdf, se vc precisar. sem choro nem vela.

sexta-feira

você no meio de uma guerra mercadológica

estive ontem em guerra. precisava transformar um arquivo de word em pdf. uma exigência da ufmg para a entrega final das teses de mestrado e doutorado (era um help para um amigo). quebrei a cabeça para solucionar o problema e de repente me dou conta que estava no meio de um mato sem cachorro: a microsoft detém os direitos dos editores de texto e cia. a adobe é a dona dos programas de pdf. é um beco sem saída. claro que não pago para nenhuma das duas. felizmente tem os freepdf e open office - com uma pequena ajudinha dos amigos - para salvar a gente nessa horas. mas é uma luta idiota esta.

coincidência encontrar justo hoje os comentários sobre isso nos blogues amigos do anderson e da lenise (link aí do lado). daí eu fico me perguntando: por que tanto sofrimento? já que esse é um país de gente pobre, acho que todo mundo devia partir era para os softwares livres de uma vez. a vida seria mais simples.

terça-feira

11 de setembro - apontamentos para wtc babel

um esclarecimento: não faço nenhuma apologia à morte de 3.000 pessoas, assim como lamento a existência de 800 milhões de telespectadores idiotizados pelo mundo afora. o que me atentou para certos aspectos desse atentado foi me deparar com a situação de que tudo foi mostrado como um grande espetáculo no qual não nos foi mostrado um mortozinho sequer. a mídia dramatizou à exaustão a ausência dos mortos e seus recados derradeiros. todos se indignaram com um atentado que, se a verdade está estampada de fato nas notícias de imprensa (talibã, al-qaeda, fundamentalismos etc), não passa de uma reação ao abuso do poder pelo mundo afora que não cessou nem mesmo com o fim de ditaduras e as declarações de liberdade dos países. todo esse acontecimento nos faz pensar nos 45 anos de guerra fria e suas rebordosas pelos anos 90 e 2000 afora. o que foi essa influência dos EUA sobre o mundo? fazendo um balanço, foi positiva? existe algo de positivo nela? e os poetas, em relação a isso? eles uivam, cássio? vivemos um mundo novo depois da explosão desse aviãozinho no prédio? e o que foi feito da bomba atômica? ela continua nos ameaçando? se continua, essa bomba é aquela que não encontraram no iraque?
tenho muitas perguntas a esse respeito.

11 de setembro: americanos são ótimos críticos dos americanos

curioso como os próprios americanos têm ótimos críticos deles mesmos. uma pena que eles mesmos não ouvem. o vídeo, para quem não sabe, é um trecho do controvertido farenheit 9/11, de michael moore.

um poema de william burroughs

dia de ação de graças, 28 de novembro de 1986

agradeço pelo peru selvagem e os pombos passageiros, destinados a virar merda nas saudáveis tripas americanas.
agradeço por um continente a espoliar e envenenar.
agradeço pelos índios por garantirem uma módica dose de desafio e perigo.
agradeço pelas vastas manadas de bisões para matar e depelar e depois deixar as suas carcaças à putrefação.
agradeço pelos troféus de caça de lobos e coiotes.
agradeço pelo sonho americano, por inventar lorotas até que elas brilhem à luz do dia.
agradeço pela klu klux klan. aos policiais que matam negros e os contabilizam. às decentes beatas de igreja com suas mesquinhas, interesseiras, feias e perversas caras.
agradeço pelos adesivos de “mate uma bicha em nome de jesus cristo.
agradeço pela aids de laboratório.
agradeço pela proibição e pela guerra contra as drogas.
agradeço por um país onde a ninguém é permitido cuidar da seus próprios problemas.
agradeço por uma nação de dedos-duros.
agradeço, sim, todas as lembranças – ok, deixa eu ver o que você tem nas mãos!
você foi sempre uma dor de cabeça e uma encheção de saco.
agradeço pela última e maior traição do último e maior sonho dos sonhos humanos.
deixo o original deste poema (Thanksgiving Day Nov. 28, 1986) no vídeo de gus van sant

segunda-feira

revista zunái

está no ar a versão virtual da revista zunái (www.revistazunai.com.br) que é comandada por claudio daniel e rodrigo de souza leão, além do projeto gráfico de ana peluso e um conselho editorial de peso. este número, como sempre muito bonito, tem sua iconografia baseada em reproduções do acervo do museu de cabul (afeganistão), destruído em 2002 por milicianos do talebã, e também de objetos saqueados no iraque, durante a segunda guerra do golfo. não podia calhar melhor nas vésperas do 11 de setembro.

sexta-feira

poesia falada

quarta-feira, lançamento do livro "belvedere" do chacal. rodeadíssimo e repleto de pedidos de autógrafo. até aí, normal. depois, ele se levanta e diz: "vou falar poesia. que é a coisa que eu mais gosto de fazer." ele fala uma série de dez poemas, arremata com uma linda homenagem ao ginsberg. entre os poemas falados, muitas alusões à idéia de que palavra apenas escrita no papel não voa. "posso até escrever uns versinhos, mas enquanto não decoro, não sei quem é o autor". e na carreira, vem o "nuvem cigana" da azougue. fiquem atentos. saravá chacal, passagem rápida mas marcante.

terça-feira

um artigo de juan gelman

assim começa o mais recente artigo ("avaliações") da bitácora de juan gelman. trata-se de uma questão que tem estado na ponta da minha língua e que me leva a pensar nos meus preparativos para o 11 de setembro que vem (para ler o artigo na íntegra, clique aqui):

Mais de cem especialistas norte-americanos em política internacional consideram que, desde a ocupação do Iraque, o mundo se tornou mais perigoso, a estratégia de segurança nacional descarrilou e a própria guerra carece de bússola. Assim o manifesta a maioria dos analistas mais respeitados do país no terceiro “Índice do terrorismo”,o informe semestral de uma consulta que realiza o Centro para o Progresso Estadunidense e a revista Foreign Policy (www.americanprogress.org, 20-8-2007). A opinião – tanto de democratas como de republicanos – é de chefes militares, ex-secretários de Estados, assistnetes de hierarquia da Casa Branca, conselheiros presidenciais de segurança nacional, acadêmicos prestigiosos e agentes do alto escalão dos serviços de inteligência. 80 % ocupou cargos no governo dos EUA – mais da metade no Poder Executivo – 32 % nas forças armadas e 21 % na chamada comunidade de inteligência. Seus julgamentos em nada coincidem com o otimismo de W. Bush.

sexta-feira

"os coiotes não sabem o que é a poesia, eles uivam" - chacal em bh

na próxima quarta, dia 05 de setembro às 20h, chacal estará em bh para o lançamento do belvedere. livraria scriptum - r. fernandes tourinho, 99. savassi

andityas soares de moura

meu amigo andityas acaba de publicar este poema na revista portuguesa oficina de poesia e me mandou por email. também quero compartilhá-lo com vocês.


Língua de fogo do não

Não se pode escrever o poema.

Os tempos são duros, inflexíveis.
Taciturnos até. Dão “bons dias”
por obrigação e recato.

Não se pode sequer ler o poema.

As pessoas andam cabisbaixas, Riem à toa – como patetas – e morrem. Morrem como quem nunca quis nada.

Não se pode nem mesmo pensar o poema.

É proibido. É indecente o poema.

O poema não produz dividendos. Não distribui lucros. Não faz dormir melhor. O poema não sorri nas campanhas eleitorais.

O poema não gosta de telenovela e nem está preocupado em como estacionar no shopping-center.

O poema não quer ter filhos, se casar e planejar férias anuais. Não tem e nem faz economias.

O poema não deixa e não anota recados.

O poema não investe em ações, não paga imposto de renda e não sabe como se portar à mesa com dignidade e fineza.

O poema não acredita na Previdência Social.

O poema não toma banho todos os dias. Não paga a escola das crianças. Sequer ajuda a financiar os cursos de inglês de que elas tanto precisam para subir na vida.

O poema não tem cartão de crédito e nem religião. Jamais freqüenta bailes de debutantes e nunca foi visto nas festas de Natal da empresa.
O poema não vai ao barzinho da moda.

O poema nunca está no escritório.

O poema não faz visitas sociais. Não tem celular e não confia nas urnas eletrônicas. O poema não está deprimido.

O poema falta às sessões ordinárias da Academia de Letras.

O poema não come todas.

O poema não é tributável. Nem atóxico, inodoro ou inquebrável.

O poema não sabe ficar quietinho.

O poema não pode ser preso.

Nem torturado, morto, estuprado, sequestrado, mutilado, roubado, operado, sodomizado, reeducado, dopado, humilhado, bombardeado, conquistado, saqueado, raptado, ameaçado, multado, eletrocutado, queimado, furado, cegado, crucificado, desmembrado, enforcado, guilhotinado, pisado, garroteado, picado, partido, moído, quebrado, cortado, empalado, frito, cozido, assado, esquecido, vencido, lavado, desintoxicado, trucidado, massacrado, escravizado, humanizado, podado, censurado, amarrado, enganado, corrompido, comprado, convencido, julgado, condenado, apenado, difamado, injuriado, caluniado, desacreditado, distorcido, adulterado, anulado ou apagado.

O poema também não pode ser calado.

O poema é um comilão, um vagabundo, um inútil mesmo.

Isso é o que ele é.

....................
Infame ter de se concentrar para sentir
o pejo de um mundo sem poesia.

quarta-feira

john cage em belo horizonte

amanhã, dia 30 de agosto de 2007. às 19h no multiespaço (anexo ao museu das telecomunicações) - avenida afonso pena 4.001. entrada frança (75 lugares). vá ao jaguadarte [j] para saber mais detalhes.

sexta-feira

quarta-feira

lançamento do jornal dez faces

no dia 24 de agosto, acontece o lançamento do jornal dez faces, editado por marcelo dolabela, camilo lara, luciana tonelli e cia. e foi a convite de luciana que colaborei para este número 10 com um poema meu. para quem não puder ler o convite acima, o evento acontece no matriz (terminal turístico jk - bhmg) a partir das 20h. a partir das 22h tem a apresentação das bandas patife band, ballet, herói do mal, los borrachos e caveira, my friend. apareçam. não é todo dia que rola poesia com rock'n roll nesta cidade.