segunda-feira

diálogo infinito


- te amo.
- eu também.
- mas você tem medo de mim.
- não. só não gosto que brigue comigo.
- prometo não brigar mais.
- ótimo.
- e você?
- eu o quê?
- promete que não vai fazer mais aquilo?
- aquilo o quê?
- aquilo.
- aquilo? ah, sei. prometo. não farei mais aquilo.
- vai sim. você vai fazer tudo de novo. você não muda. você é sempre igual.
- não vou não.
- vai sim. eu te conheço. você sempre faz aquilo. eu te odeio.
- mas você não tinha dito que me ama?
- sim. te amo.
- mas você disse que me odeia.
- não. eu te amo.
- eu também.
- mas você é esquisito comigo.
- só não gosto que você brigue comigo.
- prometo não brigar mais...
- promete?
- prometo. e você?
- prometo.
- promete? aquilo?
- é. aquilo.
- duvido.
- não duvide. detesto que você duvide de mim.
- mas eu duvido. duvido mesmo. você não muda. você é sempre igual. você não muda.
- não mudo é?
- não.
- então?
- sim?
- não.
- ah! não falei? você é sempre o mesmo.
- e você não?
- eu... eu não suporto mais isso.
- então pare.
- não me mande parar. detesto que me mandem parar...
- então não pare.
- também não diga isto. detesto que finjam as coisas apenas para apaziguar.
- e eu detesto que você brigue comigo.
- não estou brigando!
- está sim.
- não. não estou.

ad infinitum.

sexta-feira

um de mim

um livro inaugurador


"fique este dia e esta noite comigo e você vai possuir a origem de todos os poemas vai possuir o que há de bom da terra e do sol....sobraram milhões de sóis, nada de pegar coisas de segunda ou de terceira mão....nem de ver através dos olhos dos mortos....nem de se alimentar dos espectros nos livros, e nada de olhar através dos meus olhos, nem de pegar coisas de mim, você vai escutar todos os lados e filtrá-los a partir de seu eu."


estas são palavras mágicas de um poeta que inaugurou a modernidade norte-americana (não apenas por causa do verso livre, como muita gente poderia superficialmente supor) em 1855, ou seja, 54 anos antes do movimento futurista italiano e 67 anos antes da semana de arte moderna de são paulo. o abalo que whitman provocou na literatura só se compara ao de rimbaud.

o livro em questão se chama: Folhas de Relva. meu amigo oséias silas ferraz, editor da crisálida, já há algum tempo me falava desta obra. ele chamava a atenção para o fato de que a obra de whitman é uma imensa constelação cujo ponto de partida é a edição de 1955, que trazia apenas 12 poemas. mas 12 poemas que dão melhor do que nenhum outro uma visão do verdadeiro poeta de paumanok [nome indígena de manhatan]. oséias já tinha até começado a realizar o seu projeto de traduzir esses poemas e eu mesmo já havia revisado o belíssimo "grandes são os mitos", poema que fecha o récueil. mas eis que no princípio de 2005 temos notícia do monumental projeto da editora iluminuras. depois, conversando com o meu amigo (que confessou certa frustração), concordamos que não poderia ter havido melhor trabalho nem melhor tradutor.

trata-se de rodrigo garcia lopes (que já nos deu outras grandes maravilhas como a melhor tradução brasileira das Illuminations, de Jean-Arthur Rimabaud). por aqui, no país da batucada e da bundocracia, eu vi aparecer muito poucos trabalhos com esse fô(le)go e essa paixão. a tradução caprichosa e um ensaio-biografia tornam o livro uma obra-prima e um puta exemplo a ser seguido por quem escreve e traduz. rodrigo teve até o fôlego de traduzir (poucos tradutores brasileiros se animariam a isto) o prefácio-manifesto que precede a obra. um maravilhoso serviço, não só aos apaixonados por poesia, mas também para a própria obra de whitman. são 320 páginas elétricas que nos introduzem a um universo pouco conhecido por aqui (por increça que parível).

saravá rodrigo!

por esta porta estar fechada, as outras tiveram que se abrir

apontamentos de arte radical

está lá no karl marx: "ser radical é tomar as coisas pela raiz. E a raiz para o homem, é o próprio homem". tomar as coisas pela raiz! pois é. depois vieram os marxistas, os esquerdistas entre aspas e cismaram de usar o termo para designar aquelas pessoas que ficam no polo extremo, de um lado ou de outro. mas radical, não me esquecerei nunca, é tomar as coisas pela raiz. e não gosto mais de gostar de nenhum tipo de arte que não seja radical.

estou falando de arte viva. estou falando de makely ka, renato negrão, ricardo aleixo, marcelo terça-nada! e brígida campbell, zé celso martinez corrêa, juan gelman, marina abramovic. porque ninguém vai me convencer que se faz arte para os mortos. que os mortos governam os vivos. nada disso. mas nesse delírio, encontrei uns caras que vão servir de modelo para a minha arte radical. faço questão de colocar o nome deles aqui.

estou falando de oswald de andrade. eu podia simplesmente não concordar com o pirado do haroldo de campos, que escreveu sobre ele um texto chamado "uma poética de radicalidade". mas o fato é que ele está certo. oswald é o fundador da modernidade no brasil. e como ele já dizia: "só a antropofagia nos une". é ela que nos torna brasileiros. é ela que nos permite essa constante transformação do tabu em totem.

o outro radical é também um antropófago. só que italiano. pier paolo pasolini. sendo ele italiano, a antropofagia tem outro sentido: ela não o une a nenhum italiano, mas a todos os homens que vêm do terceiro mundo. daí existir uma puta relação entre pasolini e um outro radical: glauber rocha. pasolini era socialista roxo, mas não concordava com as concessões em favor de um autoritarismo primitivo que se faziam sempre os socialistas. então ele se lembra da oréstia, de ésquilo:
você leu a oréstia, de ésquilo? há pouco traduzi a peça. o contraste entre um estado democrático - mesmo que toscamente democrático e o outro tirânico e arcaico. o ápice da trilogia é o momento em que a deusa atena, a razão, institui a assembléia dos cidadãos que julgam com direito a voto. mas a tragédia não acaba aí. depois da intervenção racional de atena, as erínias - forças desenfreadas, arcaicas, instintivas, da natureza - sobrevivem - são deusas, são imortais. não podem ser eliminadas, não podem ser assassinadas. devem ser transformadas, deixando intacta a substancial irracionalidade que as caracteriza, istó é, mudando as "maldições" em "bênçãos". os marxistas italianos não se propuseram esse problema, e acho que os russos também não.
e eu concordo com o pasolini. mas hoje estou brincando de citar. e cito outro radical genial, nelson rodrigues: "o ser humano só tem salvação se tomar consciência das suas próprias misérias."

quarta-feira

o cheiro do ralo

dia desses, eu e patrícia fomos assistir a dois filmes brasileiros no cinema. do primeiro eu já me esqueci o nome. o outro se chama "o cheiro do ralo". sobre o primeiro, não há muito o que dizer, a não ser que está em cartaz no usina neste momento, dividindo (infelizmente) a sala com "o cheiro". aliás, tem mais uma coisa. me irrita muito uma linha de filmes que sai no brasil já há muito tempo: são filmes bobos, moralistas, que trazem discussões como "onde vai parar esta juventude", filmes onde se nota claramente que o diretor "queria" dizer algo, filmes com uma fotografia péssima, sem intenção no desenho da imagem. filmes ingênuos, enfim.
já o cheiro do ralo não. é um filme cruel e engraçado como deve ser. as cenas são simples, o "cenário" sem grandes invencionices e mesmo assim, maravilhoso. ouvi dizer que a galera que fez o filme teve que ralar pra fazê-lo, porque faltou grana, porque faltou de tudo. isso me impressiona, mesmo.
no dia que fomos assistir, a sala estava lotada. todo mundo anda falando deste filme. mas agora, já passadas duas semanas que esteve em cartaz (na primeira semana na sala 2, segunda maior do cinema; na segunda semana na sala 3, uma das pequenininhas) o filme já divide um ambiente com uma bijuteria qualquer, de lata, sem vida, prestes a morrer antes que qualquer comercial de tv. uma pena.
"o cheiro do ralo" é um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. e olha que tenho visto muitos e de tudo quanto é lugar. quem puder, não deixe de ir. ainda tem tempo.

sumido

para os 987.725 leitores que freqüentam este sítio, devo uma satisfação: meu sumiço (o mais longo desde o nascimento deste blogue) não é porque parei de escrever, onde já se viu? não sou desses que escrevem quando tem tempo. escrevo porque preciso, escrevo porque impreciso. e meu silêncio é meu melhor poema. mas na internet eu entro (isso sim) quando me sobra um instantinho, nos intervalos entre o aqui e o ali.

os primeiros meses do ano foram repletos de acontecimentos e trabalhos, o que me tem impedido de parar para dar notícias por aqui.

mas diz aí pro pessoal da redação que eu tô voltando. com novas notícias novas. as idéias mais afiadas. o sangue fervendo na veia. paganismos. o kaos e o kosmos. papeizinhos crepitando na fogueira da alma, loucos para virar poesia.

quinta-feira

Senhora liberdade

(Wilson Moreira e Nei Lopes)

Abre as asas sobre mim
Oh senhora liberdade
Eu fui condenado
Sem merecimento
Por um sentimento
Por uma paixão
Violenta emoção
Pois amar foi meu delito
Mas foi um sonho tão bonito
Hoje estou no fim
Senhora liberdade abre as asas sobre mim
Senhora liberdade abre as asas sobre mim

Não vou passar por inocente
Mas já sofri terrivelmente
Por caridade, oh liberdade abre as asas sobre mim
Por caridade, oh liberdade abre as asas sobre mim

terça-feira

manifesto nº1 para 2007

eu não preciso de muito dinheiro, graças a deus, mas se quiserem me pagar um salário de R$ 3.000,00 por mês para que eu fique escrevendo meu livro, não vou reclamar.

sábado

ao som de maria bethânia

dia do meu aniversário, fui passar ao lado dela em salvador. tava bonita a festa. e agora sigo ao som de maria bethânia.

dia 4 de Dezembro
(letra e música de tião motorista)

no dia 4 de dezembro
vou no mercado levar
na baixa do sapateiro
flores pra santa de lá

bárbara santa guerreira
quero a você exaltar
é Iansã verdadeira
a padroeira de lá

tirirê, tirirê, relampejou
oh, tirirê, relampejou

tomara que chegue a hora
quero seguir procissão
vou com meu "liforme" branco
levo o meu chapéu na mão

as ladainhas cantadas
pelas beatas de véu
os homens cantam mais forte
pedem proteção ao céu

logo que a santa retorne
eu vou pro samba correndo
vou na barraca da Ornela
tomo uns limão, vou dizendo

pego Antenor, meu compadre
deixa essa cara de bicho
não vou sair desse samba
só saio se for no lixo

terça-feira

nudez da verdade

“eu bem sei”

o desespero não tem asas
o amor também não,
nada de rosto,
não falam,
eu não me mexo
não olho pra eles
não lhes dirijo a palavra
mas estou tão vivo quanto o meu amor e o meu despero

é um poema de paul éluard, olha aí o original:

nudité de la vérité

“je le sais bien.”

le désespoir n’a pas d’ailes,/ l’amour non plus,/ pas de visage,/ ne parlent pas,/ je ne bouge pas,/ je ne les regarde pas,/ je ne leur parle pas/ mais je suis bien aussi vivant que mon amour et que mon désespoir.


man ray

domingo

o gato e o passarinho

um povoado escuta entristecido
o canto de um pássaro ferido
é o único pássaro do povoado
e o único gato do povoado
devorou pela metade o passarinho
e o pássaro para de cantar
e o gato para de ronronar
e de lamber o focinho
e o povoado faz pro passarinho
um maravilhoso funeral
e o gato que foi convidado
segue o cortejo atrás do caixãozinho de palha
onde o pássaro morto está deitado
carregado por uma menininha
que não para de chorar
se eu soubesse que isso iria te causar tanta dor
lhe diz o gato
eu o teria comido inteirinho
e depois te contaria
que o havia visto voar
voar até o fim do mundo
lá onde o longe é tão longe
que ninguém jamais pode voltar
você teria sofrido menos
apenas tristeza e saudade

a gente não deve nunca fazer as coisas pela metade


é um poema de jacques prévert

para fazer o retrato de um passarinho

pintar primeiro uma gaiola
com uma porta aberta
pintar em seguida
algo de bonito
algo de simples
algo de lindo
algo de útil
para o passarinho

pendurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer

às vezes o passarinho chega rápido
mas pode também demorar muitos anos
antes de se decidir
não desanimar
esperar
esperar se preciso durante anos
a rapidez ou a lentidão da chegada do passarinho
não tendo nenhuma relação
com o êxito do quadro

quando o pássaro chega
se ele chega
observar o mais profundo silêncio
esperar que o passarinho entre na gaiola
e quando ele entrar
fechar calmamente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar nenhuma das penas do passarinho

fazer em seguida o retrato da árvore
escolhendo o mais belo de seus galhos
para o passarinho
pintar também a verde folhagem e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos bichos do mato no calor do verão
e depois esperar que o passarinho se decida a cantar

se o passarinho não canta
é mal sinal
sinal de que o quadro vai mal
mas se ele canta é bom sinal
sinal de que você pode assiná-lo
então você retira docemente
uma das penas do passarinho
e escreve seu nome no canto do quadro.


["pour faire le portrait d'un oiseau"
poema de jacques prévert
temporariamente traduzido por mim]

peindre d'abord une cage/avec une porte ouverte/peindre ensuite/quelque chose de joli quelque chose de simple/quelque chose de beau/quelque chose d'utile/pour l'oiseau/placer ensuite la toile contre un arbre/dans un jardin/dans un bois/ou dans une forêt/se cacher derrière l'arbre/sans rien dire/sans bouger/parfois l'oiseau arrive vite/mais il peut aussi mettre de longues années/avant de se décider/ne pas se décourager/attendre/attendre s'il le faut pendant des années/la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau/n'ayant aucun rapport/avec la réussite du tableau quand l'oiseau arrive/s'il arrive/observer le plus profond silence/attendre que l'oiseau entre dans la cage/et quand il est entré/fermer doucement la porte avec le pinceau/puis/effacer un à un tous les barreaux/en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau/faire ensuite le portrait de l'arbre/en choisissant la plus belle de ses branches/pour l'oiseau/peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent/la poussière du soleil/et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été/et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter/si l'oiseau ne chante pas c'est mauvais signe/signe que le tableau est mauvais/mais s'il chante c'est bon signe signe que vous pouvez signer/alors vous arrachez tout doucment/une des plumes de l'oiseau/et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.

sábado

revista etcetera #20 - no ar!!!!

já está no ar a revista etcetera número 20. como sempre, repleta de belas presenças, belos textos, fatos, entrevistas, poesia, acontecimentos. destaque especial para o comentário sobre o livro leve de marcelo sahea, a entrevista com norma gabriel e a coleção de 51 mendicantos, de paulo de toledo. vida longa à etcetera!

janine 1

pourquoi tu m'appelles janine
alors que j' m'appelle thérèse ?

pourquoi tu m'appelles ardèche
alors que j' m'appelle corrèze ?

pourquoi tu m'appelles triangle
alors que j' m'appelle trapèze ?

pourqoi tu m'appelles louis xv
alors que j' m'appelle louis xvi ?

pourquoi tu m'appelles oeuf coq
alors que j' mappelle omelette ?

pourquoi tu m'appelles hautbois
alors que j' m'appelle trompette ?

pourquoi tu m'appelles don juan
alors qu' j'ai une p'tite quéquette ?

pourquoi tu m'appelles képi
alors que j' m'appelle casquette ?


(por que você me chama de janine,
quando eu me chamo thérèse?

por que você me chama de ardèche
quando eu me chamo corrèze

por que você me chama de triângulo
quando eu me chamo trapézio

por que você me chama de ovo quente
quando eu me chamo omelete

por que você me chama de oboé
quando eu me chamo trompete?

por que você me chama de don juan
quando eu tenho um pingolete

por que você me chama de quépi
quando eu me chamo capacete?)

tá no disco le fil. de camille.
(procure o site na próxima mensagem)

camille - le fil

le fil. música boa por aqui tem de sobra. o brasil é privilegiado. um ouvido musical. que não é normal. já dizia caetano cantando. digo isso, porque tenho ouvido muita canção francesa contemporânea. e a conclusão que chego é que música boa de verdade, é raro.
nas minhas aventuras de professor de francês, encontrei muito pouca coisa que eu achasse realmente boa. é que o parâmetro de comparação é alto. em língua brasileira, é comum música e letra se casarem sem forçação de barra. mas em língua francesa, vi que os melhores cantores são aqueles de origem não européia. o problema não é a língua, é outra coisa. não arrisco a tentar explicar. e nós sabemos que não foi sempre assim(vide piaf & yves montand, satie & debussy, trovadores renascentistas & medievais).
mas tem quem fuja à regra. um cara chamado "M" e a ex-modelo carla bruni são bons exemplos. mas quero falar de um trabalho que me comoveu especialmente. estou falando do disco le fil da excelente cantora camille. trata-se de um disco que soa a eletrônico, mas que foi todo gravado com instrumentos acústicos. instrumentos não tradicionais. sons inventados. sons não-sons. feitos de boca, peito, sopro, mão. às vezes umas teclas. mais raramente.
ao ouvirmos "au port", a surpresa não é tanta quanto a que temos ao assistir o clipe. só pude perceber que ali não tem nenhum instrumento a não ser o piano quando vi a música sendo executada pela cantora e sua banda: 2 mecs que seguram um som que preenche todo o espaço.
isso sem falar nas letras que se comportam de maneira inventiva e divertida (janine 1). roçam a boa poesia francesa. não são poemas, sendo. deixo uma pequena palhinha, mas o conselho mesmo é que fuce no site-fio dela. lá tem clipe, palhinhas, brincadeiras, fotos e mais mais. vá lá:

quinta-feira

i want! i want!

de william blake

terça-feira

cordel do fogo encantado, joão cabral de melo neto e os bonecos

"o amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. o amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. o amor comeu meus cartões de visita. o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. "
joão cabral de melo neto

no último sábado, na praça da estação, a coisa ficou bonita. eu e a patrícia fomos ver o sesi bonecos do brasil. nunca tínhamos visto um show do cordel do fogo encantado e fiquei impressionado. música de qualidade, muita gente bonita, muita dansa, muita poesia e muita alegria tudo junto no mesmo horário e no mesmo lugar.
só um comentário: joão cabral nunca podia imaginar que o poema dele seria falado por uma banda de rock'n roll, em plena praça da estação, pra uma platéia repleta de jovens e adolescentes. saravá lirinha!

o sábia no sertão,
quando canta me comove,
passa três meses cantando
e sem cantar passa nove
porque tem a obrigação
de só cantar quando chove

sábado

palavras do revolucionista bernard shaw



um revolucionista é aquele que deseja descartar a ordem da existência social e tentar outra.


auto-sacrifício

auto-sacrifício habilita-nos a sacrificar outras pessoas sem a menor vergonha.

se você começa a sacrificar-se por aqueles que ama, acaba odiando aqueles para quem você se sacrificou.


civilização

a civilização é uma doença produzida pela prática de construir sociedades com material podre.

aqueles que admiram a civilização moderna costumam identificá-la com a máquina a vapor e o telégrafo elétrico.

aqueles que entendem a máquina a vapor e o telégrafo elétrico gastam suas vidas tentando substituir-se por algo melhor.

a imaginação não pode conceber um criminoso mais vil que aquele que construiria outra londres como a atual, nem um maior benfeitor que aquele que a destruiria.


experiência

os homens são sábios em proporção, não à sua experiência, mas à sua capacidade para a experiência.

se pudéssemos aprender da mera experiência, as pedras de londres seriam mais sábias do que os mais sábios homens.


razão

o homem racional adapta-se ao mundo: o irracional persiste tentando adaptar o mundo a si mesmo. portanto, todo progresso depende do irracional. o homem que ouve a razão, está perdido: a razão escraviza todos aqueles cuja mente não é forte o bastante para dominá-la.

quarta-feira

revista roda nº2 - eparrei!



e eis que chega a revista roda número 2. lindona, como a primeira. gratas surpresas: presença de gente boníssima: antônio risério, benjamin abras, chacal, george cardoso, jackie kay, paulo leminski e virna teixeira. só pra começar a listas dos camarás.
a imagem da capa, é tirada de uma escultura de jorge dos anjos, que ficou exposta na praça da estação durante o mês de maio, como parte das atuações do fan - festival de arte negra de belo horizonte.
quem quiser saber mais sobre a revista, procure o jaguadarte, ou então, vá até a fundação municipal de cultura. (rua sapucaí, 571 - ed. chagas dória, bhmg. tel.: 3277 4621)