é em suas intolerâncias que o homem é um homem. alguém te enganou? nutra o ódio em você, alimente seu rancor secreto, aqueça a bile em suas veias. e se às vezes você sente que a ampla quietude das noites te ganha, não se deixe cair no esquecimento lenitivo da meditação – açoite sem piedade a sua carne amolecida, deixe o seu veneno no corpo do adversário. senão, para quê prolongar uma vida que só servirá de fardo?"
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segunda-feira
um trecho do breviário dos vencidos, de e. m. cioran
"os que são afligidos pelas insuficiências humanas, que se deixam entristecer pelo vão escorrer das horas, com que alegria se entregam àquele brilho que projeta sobre as coisas um conteúdo ardente! para uma alma a qual o vazio do mundo atormenta, a obsessão da vingança é um alimento doce e fortificante, um elemento substancial de todos os instantes, uma irritação que engendra sentidos acima do não-sentido geral. as religiões, em seu ódio a tudo o que é nobreza, honra e paixão, inocularam a covardia nas almas, proibiu-lhes a renovação dos frêmitos e dos frenesis. elas não tocaram nada tão duramente como a necessidade que o homem tem de ser ele ao se vingar. que aberração – perdoar seu inimigo, oferecer à palmatória e às cusparadas todas as fauces inventadas por um pudor ridículo, uma vez que nossos instintos nos incitam a pisoteá-lo como um bicho nojento.
é em suas intolerâncias que o homem é um homem. alguém te enganou? nutra o ódio em você, alimente seu rancor secreto, aqueça a bile em suas veias. e se às vezes você sente que a ampla quietude das noites te ganha, não se deixe cair no esquecimento lenitivo da meditação – açoite sem piedade a sua carne amolecida, deixe o seu veneno no corpo do adversário. senão, para quê prolongar uma vida que só servirá de fardo?"
é em suas intolerâncias que o homem é um homem. alguém te enganou? nutra o ódio em você, alimente seu rancor secreto, aqueça a bile em suas veias. e se às vezes você sente que a ampla quietude das noites te ganha, não se deixe cair no esquecimento lenitivo da meditação – açoite sem piedade a sua carne amolecida, deixe o seu veneno no corpo do adversário. senão, para quê prolongar uma vida que só servirá de fardo?"
(trecho de "breviário dos vencidos"(îndreptar pătimaş), escrito entre 1940 e 1944, último livro que o romeno escreveu em sua língua pátria. assim como este, o livro está repleto de textos provocadores e cruéis, tratando de diversos assuntos cada vez mais polêmicos, especialmente nessa nossa época de lenitivos e de discursos politicamente corretos).
sábado
e. m. cioran
"a verdade não sonha jamais", disse um filósofo oriental. é por isso que ela não nos interessa. o que faríamos nós da sua miserável realidade? ela só existe na cabeça dos professores, nos preconceituosos escolares, na vulgaridade de todos os ensinamentos.
mas no espírito ao qual o infinito dá asas, o sonho é mais real que todas as verdades. o mundo não é; ele se cria cada vez que o entusiasmo do começo atiça a brasa da nossa alma.
céu e inferno (mirabilibus ex auditis et visis)
ando lendo, entre outras coisas, a obra do peça-rara sueco emanuel swedenborg. nascido em 1688, morreu aos 84 anos. foi um dos maiores cientistas de todos os tempos, dominando áreas como física, química, filosofia, psicologia, política, anatomia, entre muitas outras. foi pesquisador pioneiro em várias delas.
foi também poeta e literato. mas o que o tornou mais conhecido pelo mundo afora foi a sua obra teológica. é que, aos 56 anos, segundo contam, recebeu a visita de ninguém menos do que o TP (o Todopoderoso) que lhe deu a missão de revelar os segredos do céu, do inferno e os símbolos escondidos por detrás dos escritos bíblicos. palavras do próprio "Na mesma noite, o mundo dos Espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e aí encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e de todas as condições. Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu Espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em plena consciência, com anjos e Espíritos".
daí por diante, escreveu uma vastíssima (mais de 40 títulos), obra que fez a cabeça de uma pequena ralé literária: kant, goethe, balzac, dostoievski, william blake, charles baudelaire, w. b. yeats, s. t. coleridge, ralph w. emerson, henry james, august strindberg, é elogiado por paul valéry, aclamado por jorge luís borges e tema de uma das obras principais do poeta polonês czesław miłosz: ziemia ulro/land of ulro. no brasil exerceu influência apenas sobre um único poeta, o mais original dos românticos brasileiros: sousândrade. ele aparece no começo do inferno de wall street.
daí por diante, escreveu uma vastíssima (mais de 40 títulos), obra que fez a cabeça de uma pequena ralé literária: kant, goethe, balzac, dostoievski, william blake, charles baudelaire, w. b. yeats, s. t. coleridge, ralph w. emerson, henry james, august strindberg, é elogiado por paul valéry, aclamado por jorge luís borges e tema de uma das obras principais do poeta polonês czesław miłosz: ziemia ulro/land of ulro. no brasil exerceu influência apenas sobre um único poeta, o mais original dos românticos brasileiros: sousândrade. ele aparece no começo do inferno de wall street.
1. (O GUESA, tendo atravessado as Antilhas, crê-se livre dos XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dos desertos: )
Orfeu, Dante, Enéas, ao inferno
Desceram; o Inca há de subir...
Ogni sp'ranza lasciate,
che entrate
Swendenborg, há mundo porvir?
Desceram; o Inca há de subir...
Ogni sp'ranza lasciate,
che entrate
Swendenborg, há mundo porvir?
mas, assim como sousândrade, por aqui ele não é muito conhecido. quase não se fala nele. as poucas referências que andei encontrando: o livro de miłosz publicado pela unb na coleção poetas do mundo não mais, que, alías, foi a que me despertou interesse pela obra do sueco, o casamento do céu e do inferno de william blake (que tem uma excelente tradução no livro tudo que vive é sagrado da editora crisálida), que a meu ver é uma espécie de resposta ao livro de swedenborg de coelo et ejus mirabilibus et inferno, ex auditis et vidis, algumas passagens da ReVisão de Sousândrade (sempre sem muita coragem por parte dos organizadores e comentaristas) e o livro A loucura na razão pura de monique david-menard.
essa obra teológica deu origem à igreja swedenborgiana que, teologicamente, parece ter incentivado as incursões espirituais do francês allan kardec. segue aí o endereço do site brasileiro sobre a obra de swedenborg, organizado pela sua igreja brasileira (sede no rio de janeiro desde os anos 40!). vale a pena conferir: www.swedenborg.com.br
essa obra teológica deu origem à igreja swedenborgiana que, teologicamente, parece ter incentivado as incursões espirituais do francês allan kardec. segue aí o endereço do site brasileiro sobre a obra de swedenborg, organizado pela sua igreja brasileira (sede no rio de janeiro desde os anos 40!). vale a pena conferir: www.swedenborg.com.br
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