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sexta-feira

tropa de elite: alguém falou em culpa?

muito curiosa a polêmica lançada pelo filme "tropa de elite". parece que ele agradou e, ao mesmo tempo, incomodou a gregos e goianos. os partidários da polícia ficaram chateados, as boas mocinhas acharam que ele faz apologia à violência, os malucos acham que o filme é ufanista, há quem diga que como filme é bom, mas que a violência pesada não justifica. por outro lado, há quem diga que, como filme é ruim, mas que o que é dito ali não pode deixar de ser dito, pois é bem o retrato da polícia. falou-se em problemas educativos, falou-se em pirataria, ouvi reclamações que "meu filho anda cantando a música tema do filme, e eu acho isso muito perigoso".

de minha parte, custei um pouco a ir vê-lo. mas posso dizer que gostei. achei o estilo denso e envolvente, achei que o diretor acertou a mão no tempo da narrativa e nas frases de efeito ("bota na conta do papa" vai entrar pra história). teve gente que andou reclamando que parecia demais com o "cidade de deus" do fernando meirelles. mas cá pra nós: se cinema dependesse de originalidade, hollywood já tinha falido há umas 3 décadas (sendo otimista). eu, pelo contrário, acho mesmo é que o filme será pra sempre um marco no cinema nacional e conquistará, ao lado do "cidade de deus", muitos seguidores.

particularmente não acho que o filme faça apologia à violência. pelo contrário, acho que ele mostra o quanto a violência é nefasta e triste. supor que uma ficção é uma apologia a qualquer coisa é lamentável para um país que se quer "civilizado". seria o mesmo que dizer que o "saló", do pasolini é uma apologia ao nazismo ou que a "ilíada" não deve ser lida por estar vazada de sangue. ora bolas, um bom artista produz coisas que o deixam fora até mesmo da sua moral pessoal, a questão "bem" ou "mal", tão reducionista e tão corrente no país que se diz "abençoado por deus".

por outro lado, não dá pra negar uma coisa: conheço um mundaréu de gente que ao ver o filme ficará muito entusiasmado em sair por aí pregando que a coisa tem que ser por aí. mas não é o filme que ensina isso. todos nós sabemos que ninguém entra numa sessão de cinema para aprender como é a vida. quem quiser saber isso, vai no mínimo procurar um jornaleco qualquer desses que circula a rodo pelo país e que dá as ordens no pensamento dos pretensos "cidadãos". no filme não. não posso responder por todo mundo, mas posso dizer que fiquei orgulhoso de ver que ao menos no cinema, existe a intenção, ainda que seja de um único diretor, de se criar o "mito do policial honesto". até por quê, acho que policial honesto é coisa que não existe em nenhum lugar que pratica tão fervorosa e convictamente a repressão (se você é brasileiro, você sabe do que estou falando).

pois bem, mas eu vi que teve um bando de burgueses maconheiros que também ficou meio nervosificado com a narrativa. imagina, mexer nos vícios é coisa séria. pode levar a conseqüências químicas. e eu sei que todo mundo prefere virar a cara e fingir que não é com ele. medo de ficar sem o seu sagrado baseado. não serei eu a aliviar a barra da burguesada, apenas quero saber se a galera vai ficar aí dizendo "a culpa é de quem?", borrando as calças de medo por só porque viu o próprio retrato na tela.

quer saber a minha opinião? foda-se a culpa. (por que ninguém fala no essencial?) chama o povo na responsa pra fazer algo que preste: ensinai as criancinhas. que saber é poder. entreguem óculos para os garotinhos que não enxergam direito, como o matias queria fazer no filme, e fez. e assistam como elas fazem o que não soubemos fazer, já que fomos educados por professores incompetentes. criar o mito do "ensinar para dar poder". antes que tudo exploda e não tenha volta.

waly sailormoon e a teatralização: trechos de um texto de antônio cícero

uma das publicações mais bonitas de poesia que tive acesso nos últimos tempos é o livro “me segura qu’eu vou dar um troço” de waly sailormoon, publicado em 2003 pela editora aeroplano em parceria com a biblioteca nacional, organizado por heloísa buarque de hollanda e luciano figueiredo. trata-se trabalho do primeiro do baiano que, em 1972 ficou preso no carandiru por causa do porte de uma “mera bagana de fumo”.

“meu primeiro texto teve de brotar numa situação de extrema dificuldade. na época da ditadura, o mero porte de uma bagana de fumo dava cana. e eu acabei no carandiru, em são paulo por uma bobeira, e lá dentro eu escrevi “apontamentos no pav 2”. não me senti vitimizado de ver o sol nascer quadrado. para mim foi uma liberação da escritura”.

nesta edição, há um belíssimo prefácio de antônio cícero, verdadeiro testemunho de admiração e amizade por um dos poetas mais importantes que apareceram na cena brasileira dos últimos 50 anos. fiz uma pequena edição de um trecho que me toca, especialmente agora, neste instante da vida. espero que o cícero não se importe. segue o texto:

a falange de máscaras de waly salomão


(...)

em 2002, waly resume a relação entre a prisão e a escrita, dizendo que "... ver o sol nascer quadrado, eu repito esta metáfora gasta, representou para mim a liberação do escrever que eu já tentava desde a infância.

se desde a infância ele já buscava a liberação que a escritura de "me segura"viria a lhe proporcionar, então, de algum modo, a vida anterior a essa escritura devia ser por ele percebida como uma prisão ou um confinamento: confinamento do qual o carandiru tornou-se o emblema. de que se trata? são muitas as possíveis prisões. em texto sobre "me segura", intitulado "ao leitor, sobre o livro", lê-se:


sob o signo de PROTEU vencerás.
por cima do cotidiano estéril
de horrível fixidez
(waly salomão)

de que modo a poesia proporciona a liberação a quem foi confinado? o desprezo pela fixidez do cotidiano, a rejeição dos princípios lógico-formais da identidade e da contradição, a vontade de abolir as fronteiras entre o eu e os outros e o fascínio pela metamorfose são características que trazem à mente a noção de carnavalização. mas, não creio que o termo carnavalização seja adequado para caracterizar a obra de waly. na verdade, aquilo que merecia o epíteto de carnavalizante era a pessoa ou a irradiante presença de waly, inclusive na sua atividade de conferencista e nas suas aparições na televisão, mas não a sua poesia. em relação a esta, prefiro empregar o conceito que ele mesmo elegeu: o de teatralização.

“é que eu transformava aquele episódio, teatralizava logo aquele episódio, imediatamente, na própria cela, antes de sair. eu botava os personagens e me incluía, como marujeiro da lua. eu botava como personagens essas diferentes pessoas e suas diferentes posições no teatro: tinha uma agente loira babalorixá de umbanda, tinha um investigador humanista e o investigador duro. o que quer dizer tudo isto? você transforma o horror, você tem que transformar. e isso é vontade de quê? de expressão, de que é isso? não é a de se mostrar como vítima”.

a vítima é o objeto nas mãos do outro. quem aceita a condição de vítima no presente, quem diz: “sou vítima” está, ipso facto, a tomar como consumada a condição de não ser livre. é contra essa atitude de implícita renúncia à liberdade que waly teatraliza a sua situação. ao fazê-lo, ele a transforma em mera matéria prima para o verdadeiro drama, que é o que está a escrever. a vítima passa a ser apenas o papel de vítima, a máscara de vítima. por trás da máscara há o escritor. mas isso não é tudo, pois o que é o escritor senão o papel de escritor? waly sailormoon, o marujeiro da lua, diz que: “chego nos lugares e percebo as pessoas como personagens de um drama louco”. mas não se deve cair no equívoco de supor que a teatralização consista simplesmente em opor ao mundo real o imaginário. não é o delírio ou a alucinação que waly aqui defende. não se trata de opor o teatro ao não-teatro. o que ele julga é, antes, que tudo é teatro. ao afirmar que percebe as pessoas como personagens de um drama louco, waly não quer dizer apenas que as interpreta como tais, mas que se dá conta de que são personagens de tal drama. retomando a idéia do theatrum mundi, originada na antigüidade.
mas, se tudo já é teatro, se até o fato é teatro, qual é o sentido da teatralização? por que teatralizar o que já é teatro? é que o fato social é o teatro que desconhece o seu caráter teatral. o processo que leva a esse desconhecimento ocorre, por assim dizer, “naturalmente”: como a peça que se representa no teatro do mundo parece ser sempre a mesma, os atores ignoram que se trate de uma peça, isto é, de obra humana e artificial; ignoram, em outras palavras, que seja uma dentre muitas peças reais ou possíveis, e a tomam por natureza. longe de reconhecer espontaneamente o teatro do mundo como teatro, o indivíduo, no interior da sua cultura, aceita os papéis sociais como dados ou fatos desde sempre já prontos: o que equivale, como foi dito, a tomá-los por natureza, não por teatro.

a atitude de waly é diametralmente oposta a essa. ele nunca esquece que o “fato” social é o teatro que se enrijeceu ou esclerosou a ponto de olvidar a sua natureza teatral: o teatro que se pretende superior ao teatro, que se pretende mais real do que o teatro. na medida em que tem êxito em sua impostura, a “horrível fixidez” daquilo que podemos chamar de “teatro do fato” não somente expulsa ou degrada ao segundo plano as virtualidades ainda não realizadas do presente, que o superam em riqueza, mas, além disso, congela o movimento criativo que, em princípio, exige a abertura permanente a novas possibilidades interpretativas. a teatralização walyniana funciona, portanto, como a água de mnemosune, o antídoto contra a água da fonte de lete, do esquecimento naturalizante e confinante.

(do prefácio de antônio cícero ao livro “me segura qu’eu vou dar um troço”, de waly salomão, publicado em 2003 pela editora aeroplano)

segunda-feira

a revista viva voz e "a lata" de patrícia mc quade

saiu recentemente a revista viva voz, resultado da oficina de escrita da professora elisa amorim. das aulas ministradas pela professora, saíram excelentes textos, dentre os quais destaco este verdadeiro retrato da vida contemporânea e do verão que entra.

a lata
por patrícia mc quade

sentiam-se comprimidos, envergonhados, condensados, apertados, oprimidos, sintetizados, humlhados, amassados.

os rostos derrotados eram mais que cansados. e pagavam por isso. todo o peso do mundo exercia pressão por todos os lados. perfeita imitação de uma lata de sardinha. precisavam pagar por isso. humanos desafiando a física. como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço? e pagavam caro por isso.

os cidadãos dentro da lata sobre rodas suavam. termômetros acusavam: o dia mais quente o verão. poucos sentados. a maioria de pé. todos tremendo juntamente com o motor que roncava. aquela lata cantava de maneira insuportável. por que deus criou nossos ouvidos? e as pessoas pagavam por isso.

gente encostada nas janelas abertas, aproveitando o alívio do vento morno. os outros empilhados, de braços erguidos, sustentando no equilíbrio os corpos uns dos outros. a total coletividade individual, com dificuldade de respirar, agonizava e pagava por aquele ar que cheirava a dia de trabalho e de competitividade por emprego, por dinheiro, por status, por oportunidade e, agora, por espaço. e pagavam pelo não-merecido.

fora da lata começava a chuva mansa que ao toque com o asfalto incandescente produzia um mormaço ainda mais insuportável que o calor do sol. o mormaço queria também o espaço da lata, que já possuía o calor de seu motor e o suor dos corpos, e entrou sem pagar por isso, transformando a lata em uma panela de pressão. e o cozido humana pagava sempre por isso.

a velocidade oscilava em sucessivas paradas para que os sujeitos já compactados descessem e outros embarcassem. a lata cada vez mais carregada e lenta, com a preguiça de uma babosa, se arrasta pelas ladeiras da cidade e em freadas bruscas e arrancadas estúpidas, e o traçado de curvas ondulantes, seguimento retilíneo, tudo isso como regras de um joguete de corpos que obedeciam ao ritmo imposto: para frente, para trás, para a direita, para a esquerda, agora lançamento oblíquo. sem ordem, ao acaso. os corpos obedeciam, amontoados e deprimentes e pagavam a viagem com dinheiro roto, suado, mas sempre pagavam por isso.

(traduzido do castelhano por leo gonçalves)

sexta-feira

a disciplina do ódio

o ódio é como uma criança frágil. é preciso saber que ele te ocupará mais que o amor. você o reitera a cada manhã e é ele que te indica a via a ser seguida a cada dia. é um pacto: a partir de agora o ódio será seu guia sua liturgia. você renderá cultos fenomenais a esse deus insano pois você não poderá mais viver sem ele. acompanha-o o ódio-ao-ódio. pés e mãos atados se arrastando de joelhos como um cristão. ele te surge como a promessa de neutralizar a imensa dor. mas seu verdadeiro encargo é o de ampliar as feridas. e morde com boca ávida a carne viva. o ódio-ao-ódio te redevolve dedicado que é à disciplina do ódio.

* * *
el odio es como un niño débil. hay que saber que él te ocupará más que el amor. lo reiteras cada mañana y es él quién te indica el camino de cada día. es un pacto: desde ya el odio será tu guía tu liturgía. le renderás cultos fenomenales a ese dios insano pues ya no podrás vivir sin él. lo acompaña el odio-al-odio. pies y manos atados arrastrándose como un cristiano. él te surge como una promesa de neutralización del gran dolor. pero su verdadero encargo es el de ampliarte las heridas. y muerde con boca ávida la carne viva. el odio-al-odio te redevuelve dedicado que eres a la disciplina del odio.

* * *
la haine est comme un enfant fragile. il faut rendre compte qu'elle t'occupera bien plus que l'amour. tu la réitères chaque matin et c'est elle qui t'indique la route à suivre chaque jour. c'est un pacte: désormais la haine sera ton guide ta liturgie. tu rendras des cultes phénomenaux à ce dieu malsain, car tu ne pourras plus le quitter. la haine-à-la-haine l'accompagne. les pieds et les poings liés traînant à genoux comme un chrétien elle t'apparaît comme la prommesse de neutralisation de la grande douleur. mais sa charge véritable est celle d'élargir les blessures. et elle te mord avidement la chair vivante. et la haine-à-la-haine te renvoit dédié que tu es à la discipline de la haine.

* * *
hate is like a weak child. you must to know that it will take you much more than love. you repeat it each morning and it show the way of everyday. it's a pact: since now hate will be your guide your liturgy. you worship amazingly this mad god because you won’t to leave it never more. hate-to-hate follows it. tied by feet and fists crawling like christian folks. it appears as a promise of the great pain's neutralization. but its only charge is to enlarge your wounds. and it bites you on the injuried flesh. and hate-to-hate re-sends you, you devote, to the discipline of hate.

segunda-feira

o salamalandro na biblioteca girapemba

laroiês e evohés! essa semana tive a honra de colaborar para a "biblioteca girapemba", do blogue "folhas de girapemba" de ana maria ramiro. a proposta dela é bem interessante: em cada apresentação, um poeta fala de sua formação, suas referências e preferências. ao final, uma seleção de 5 poemas preferidos do autor em questão e um do próprio entrevistado. vale a pena conferir. para a proposta já colaboraram: marcelo sahea, claudio daniel, linaldo guedes e thiago ponce de moraes. caprichosa nas cores e escolhas, filha de iya mi, ana está montando uma biblioteca bacana. para esta seleção, ela escelheu o meu "canto para matamba", que vocês poderão ler lá mesmo, na íntegra. valeu, ana. ótimo jeito de começar a semana.

domingo

carta de alforria

(letra para um possível samba)

quando você foi embora
eu não chorava eu não chorava
eu sorria, ai meu bem, eu só ria
quando você foi embora
eu sorria eu só sorria
quando você foi embora
foi carta de alforria

fiz um pacto de sangue com a liberdade
de agora em diante
só me deixo prender o coração
se for numa fina fita de brilhante

eu vou me mandar daqui
quero morar na casa felicidade
no barraco da filosofia
eu quero viver de verdade
quero curtir a minha carta de alforria
antes que seja tarde

quando você foi embora
eu não chorava eu não chorava
eu sorria, ai meu bem, eu só ria
quando você foi embora
eu sorria eu só sorria
quando você foi embora
foi carta de alforria

sábado

a verdade sobre as máscaras

"teatro é o lugar onde as máscaras caem."
zé celso martinez corrêa

quarta-feira

julius

julius caiu na rede. até que enfim. tenho que admitir: sou fã desse cara. para o bem de todos e alegria geral da nação, leiam o contrasenso e freqüentem o portfolio dele. saravá!

www.contrasenso.info
www.julius.es

segunda-feira

andityas soares de moura numa vídeo-conferência sobre juan gelman

aí está o meu parceiro e comparsa numa vídeo conferência sobre um de nossos poetas favoritos. o vídeo tem 57 minutos e a conferência é realmente muito instrutiva. vale a pena conferir.

a ditadura militar acabou ou não?

uma cena que não sai na imprensa: um menino de dezesseis anos pega o ônibus para sua casa na periferia de belo horizonte. acontece uma batida policial no meio do caminho. confusão e tiros. um cidadão é atingido. o garoto corre para socorrer e os policiais assustados não querem deixar. o menino nervoso começa a gritar, a insultar. um dos policiais decide: desacato à autoridade. e desce a porrada no menor de idade. assim. em público. na frente de todo mundo. em casa, horas mais tarde, o garoto ouve um sermão da mãe. algumas pessoas dizem que é necessário denunciar, mas a família acha que "essas coisas acontecem", que é melhor "deixar na mão de deus". na verdade, fazendo um diagnóstico, o que deixa a gente revoltado diante dessa situação é que no fundo no fundo, todos estão morrendo de medo. o policial não sabe em quem ele bateu, o garoto não pode denunciar porque a polícia pode ameaçar a família, a família quer entregar nas mãos de deus para não continuar tendo problemas com ninguém, nem com a lei da favela, nem com a do governo. e a revolta só sobe de nível, enquanto quem manda no brasil é uma deusa chamada apatia. até quando, isso é o que eu não sei.

quanto custam os seus sonhos?

para completar minha revolta, meu computador voltou a botar aquele recadinho assim: "seu computador pode estar em risco: você está utilizando uma versão não autorizada do windows." através da internet, a microsoft entra no seu computador e faz a inspeção para saber se você está usando uma versão pirata ou não. mas no seu aparelho, você coloca: sonhos, desejos, planos, planilhas, organizações, cartas de amor e cartas a você mesmo, paixões, projetos. de certa forma, a sua vida está lá dentro. o risco de que fala aquele recadinho da microsoft é o de ela vir e apagar os seus sonhos como se fosse o vento sobre a areia. já estou substituindo o word pelo writer do open office (o programa é muito mais inteligente e não faz nenhuma chantagem, pelo contrário, me incentiva a colaborar). como meu aparelho é usado por toda a minha família (ao todo 7 pessoas), ainda não tive a coragem de chutar o balde e passar para o ubuntu, como fez a lenise, mas farei isso em breve. paciência tem limites. (para quem não sabe, o ubuntu é um sistema operacional que substitui o windows - e, diga-se de passagem, mais inteligente e colaborativo, também). detalhe para quem leu a mensagem abaixo: o open office (a versão brasileira se chama br office) já transforma o arquivo de word, jpg, excel e tudo mais em pdf, se vc precisar. sem choro nem vela.

terça-feira

um poema de william burroughs

dia de ação de graças, 28 de novembro de 1986

agradeço pelo peru selvagem e os pombos passageiros, destinados a virar merda nas saudáveis tripas americanas.
agradeço por um continente a espoliar e envenenar.
agradeço pelos índios por garantirem uma módica dose de desafio e perigo.
agradeço pelas vastas manadas de bisões para matar e depelar e depois deixar as suas carcaças à putrefação.
agradeço pelos troféus de caça de lobos e coiotes.
agradeço pelo sonho americano, por inventar lorotas até que elas brilhem à luz do dia.
agradeço pela klu klux klan. aos policiais que matam negros e os contabilizam. às decentes beatas de igreja com suas mesquinhas, interesseiras, feias e perversas caras.
agradeço pelos adesivos de “mate uma bicha em nome de jesus cristo.
agradeço pela aids de laboratório.
agradeço pela proibição e pela guerra contra as drogas.
agradeço por um país onde a ninguém é permitido cuidar da seus próprios problemas.
agradeço por uma nação de dedos-duros.
agradeço, sim, todas as lembranças – ok, deixa eu ver o que você tem nas mãos!
você foi sempre uma dor de cabeça e uma encheção de saco.
agradeço pela última e maior traição do último e maior sonho dos sonhos humanos.
deixo o original deste poema (Thanksgiving Day Nov. 28, 1986) no vídeo de gus van sant

segunda-feira

revista zunái

está no ar a versão virtual da revista zunái (www.revistazunai.com.br) que é comandada por claudio daniel e rodrigo de souza leão, além do projeto gráfico de ana peluso e um conselho editorial de peso. este número, como sempre muito bonito, tem sua iconografia baseada em reproduções do acervo do museu de cabul (afeganistão), destruído em 2002 por milicianos do talebã, e também de objetos saqueados no iraque, durante a segunda guerra do golfo. não podia calhar melhor nas vésperas do 11 de setembro.

terça-feira

um artigo de juan gelman

assim começa o mais recente artigo ("avaliações") da bitácora de juan gelman. trata-se de uma questão que tem estado na ponta da minha língua e que me leva a pensar nos meus preparativos para o 11 de setembro que vem (para ler o artigo na íntegra, clique aqui):

Mais de cem especialistas norte-americanos em política internacional consideram que, desde a ocupação do Iraque, o mundo se tornou mais perigoso, a estratégia de segurança nacional descarrilou e a própria guerra carece de bússola. Assim o manifesta a maioria dos analistas mais respeitados do país no terceiro “Índice do terrorismo”,o informe semestral de uma consulta que realiza o Centro para o Progresso Estadunidense e a revista Foreign Policy (www.americanprogress.org, 20-8-2007). A opinião – tanto de democratas como de republicanos – é de chefes militares, ex-secretários de Estados, assistnetes de hierarquia da Casa Branca, conselheiros presidenciais de segurança nacional, acadêmicos prestigiosos e agentes do alto escalão dos serviços de inteligência. 80 % ocupou cargos no governo dos EUA – mais da metade no Poder Executivo – 32 % nas forças armadas e 21 % na chamada comunidade de inteligência. Seus julgamentos em nada coincidem com o otimismo de W. Bush.

sexta-feira

domingo

não macule a minha faca

"quem com letícia féres, confere e será querido".
imperdível. nas terças poéticas: jardins internos do palácio das artes. hilda hilst homenageando letícia féres. letícia féres homenageando hilda hilst. poesia em alta voltagem. samplermusic & videocolagem. julius. frederico pessoa. poesia hoje. queria conseguir dizer mais. mas precisa? vá lá e comente depois aqui comigo, vai.

sexta-feira

não macule a minha faca - letícia feres e hilda hilst no terças poéticas

e vem aí, letícia feres na companhia de julius e frederico pessoa no terças poéticas. em breve, coloco mais umas informações bombásticas sobre a navalhante apresentação dos meus amigos. por enquanto, quem quiser mais informações, é só ir lá no onde andará dulce veiga.

segunda-feira

what can i hold you with? (um poema inglês de jorge luis borges)

de que modo eu posso te abraçar?
eu te ofereço estreitas ruas, poentes desesperados, a lua dos subúrbios gastos.
eu te ofereço a amargura de um homem que olhou longamente a lua solitária.
eu te ofereço meus ancestrais, meus mortos, os fantasmas que os vivos honraram em mármore: o pai do meu pai assassinado na fronteira de buenos aires, duas balas atravessadas nos pulmões, barbado e morto carregado por seus soldados no couro de uma vaca; o avô de minha mãe – com apenas vinte e quatro anos – encabeçando uma carga de trezentos homens no peru, agora fantasmas sobre desvanecidos cavalos.
eu te ofereço qualquer insight que possa haver em meus livros, qualquer hombridade ou humor na minha vida.
eu te ofereço a lealdade de um homem que nunca foi leal.
eu te ofereço o cerne de mim mesmo que achei de certo modo – o coração central que não aposta em palavras, que não trafega com sonhos e é intocado pelo tempo, pela alegria, pelas adversidades.
eu te ofereço a memória de uma rosa amarela vista ao pôr-do-sol, anos antes de você nascer.
eu te ofereço explanações sobre você mesma, teorias sobre você mesma, notícias autênticas e surpreendentes sobre você mesma.
eu posso te dar a minha solidão, a minha escuridão, a fome do meu coração; estou tentando subornar-te com incertitude, com perigo, com derrota.

(tradução: leo gonçalves)


o borges é um sujeito muito raro. melhor conhecido como prosador, foi também um grande poeta - um marco da lingua castelhana, grande influência de gerações e gerações na literatura argentina. e não só: também produziu bons ensaios sobre o tema, sendo que hoje, um poeta interessado em se aprimorar conceitualmente sobre sua arte perde muito se não tiver acesso às essas reflexões. por outro lado, sua posição conservadora se refletia em sua produção. isso não o impediu de ser um dos mais transgressores artistas do século xx. curioso é que como poeta, a preferência é por uma forma mais tradicional (quem se interessar, publiquei aqui no salamalandro há algum tempo um soneto dele chamado "swedenborg"). voltando de diamantina, tive o desejo de ler poemas dele. qual não foi a surpresa ao encontrar este poema que me parece esteticamente "selvagem", apaixonado e racional ao mesmo tempo. e escrito em inglês! quando eu gosto tanto de um poema assim, fico emocionado e preciso "lê-lo melhor". e "ler melhor" significa traduzir. não quis pôr o original aqui porque o blogspot não oferece muito bons recursos na formatação do poema e com esta trabalheira já basta o poema em português. mas quem quiser conhecer o original (é sem dúvida muito mais bonito que a tradução), é só clicar aqui: www.primrose.com/borges

sexta-feira

festival de inverno ufmg, diamantina - 2007

Leo Gonçalves & Patrícia Mc Quadena glória! eu também estou aí,/ estou aí o que é que há/também tô nessa boca!
Antonio Cíceroagoral: poesia e pensamento no centro do agora. turma bonita: oficina "a arte do poeta" com antônio cícero rufo herrera: palestra-show sobre o bandoneon. poesia em foles: fôlego. noite musical: na ozzetti família reis, choro diamantinense, bonito e sofisticado feito por mãos simples. capim seco, cantando no escuro. voz linda da cantora. timbre raro. mpb e clássicos da mpb. ficamos sonhando ouvir as músicas da banda. mas a promessa já foi feita. "por que você não rasga essas cartas de amor?", ela dizia. é a fabrícia. ela não tem só cara, ela é rebelde mesmo. sarau agoral: poesia aqui e agora. luciana tonelli, vera casa nova e álvaro andrade garcia, trio de gente bacana. no cabana.
luzes acesas/ vozes amigas/ chove melhor (alice ruiz) o haicai da cecília Patrícia Mc Quadeguardar uma coisa é olhá-la, fitá-la. (em primeiro plano: patrícia mc quade, a famosíssima "minha namorada") malas prontas: diamantina, um brinco de cidade Leo Gonçalves & Patrícia Mc Quade

mais notícias pela bloguesfera afora

chacal lança na flip o livro belvedere, que reune a poesia dele até aqui.

comentário: a notícia de que saiu essa reunião dos 36 anos de criatividade do chacal me deixou letrelétrico e me trouxe muito prazer. afinal, é tão difícil achar os livros dele. e a vida é curta para ser pequena. (www.chacalog.zip.net)


marcelo sahea, inventor de uma coisa divertida chamada poegifs, lança o seu novo site. visceral. está ainda em construção, mas já dá para passear por lá.
comentário: o site está lindão. marcelo sahea não é só um poeta em carne viva, mas um puta artista gráfico. passa lá: www.sahea.net (www.poesilha.blogspot.com)

marcelo terça-nada! criou há alguns dias uma coisa bacana: um centro de informações bloguísticas chamado vizinhança. comentário: de idéias boas é que o mundo vive. leio jornais e acho uma merda. só consigo me ver realmente informado quando dou uma passada pelos blogues. (www.virgulaimagem.redezero.org)

renato negrão, makely ka e chico de paula vão a ouro preto dar a oficina de "desespecialização artística". de 16 a 20 de julho. comentário: grande sacada essa. a proposta vai na contramão do capitalismo atual onde o mais bonito é sempre ser cada vez mais especialista. saber cada vez mais sobre cada vez menos. (www.nocalo.blogspot.com)


lenise regina retoma a sua palavra sem nome, dando a palavra ao poeta-repórter especial julius cesar, que está cobrindo a flip - festa literária de parati. lá também você tem mais notícias sobre o belonovo livro do chacal. comentário: regina é palavra latina e quer dizer rainha. ela e seu césar. não é à toa que a letícia, a rainha do trocadilho chama ela de primeira dama. êh lindeza! (www.poesiahoje.art.br/palavrasemnome)